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Ortografia

Ortografia é o coletivo de regras estabelecidas pela gramática normativa para a grafia correta das palavras e o emprego de acentos, da crase e dos sinais de pontuação.

Acordos ortográficos da Língua Portuguesa

A forma de grafar as palavras é produto de acordos ortográficos que envolvem os diversos países em que a língua portuguesa é oficial. O primeiro acordo foi realizado em 1931 com o objetivo de promover a unificação dos dois sistemas ortográficos, entretanto, não obteve êxito.

No Brasil, houve reformas ortográficas nos anos de 1943, 1945, 1971 e 1973. Em 1986, no Rio de Janeiro, houve um encontro de todos os representantes dos países lusófonos, ficando estabelecido o acordo ortográfico de 1986, mas também foi inviabilizado.

O último acordo ortográfico entre os países lusófonos entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 2009. Esse acordo legitimou outra reforma ortográfica, estabelecendo mudanças em diferentes aspectos, como a inclusão das letras “K”, “W” e “Y” ao alfabeto português oficial.

Estudaremos sobre todas as mudanças da nova ortografia e tudo o que você precisa saber para passar no concurso.

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Alfabeto

O alfabeto português consta fundamentalmente de vinte e seis letras: a, b, c, d, e, f, g, h,
i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z.

Com a nova ortografia, foram reintroduzidas as letras k, w e y

As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações.

Por exemplo:
a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt);
b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano.


Emprego de X e Ch

Emprega-se o X:

1) Após um ditongo.

Exemplos: caixa, frouxo, peixe

Exceção: recauchutar e seus derivados

2) Após a sílaba inicial “en”.

Exemplos: enxame, enxada, enxaqueca

Exceção: palavras iniciadas por “ch” que recebem o prefixo “en-”

Exemplos: encharcar (de charco), enchiqueirar (de chiqueiro), encher e seus derivados (enchente, enchimento, preencher…)

3) Após a sílaba inicial “me-“.

Exemplos: mexer, mexerica, mexicano, mexilhão

Exceção: mecha

4) Em vocábulos de origem indígena ou africana e nas palavras inglesas aportuguesadas.

Exemplos: abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu

5) Nas seguintes palavras:

bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, puxar, rixa, oxalá, praxe, roxo, vexame, xadrez, xarope, xaxim, xícara, xale, xingar, etc.


Emprego do dígrafo Ch

1) Nos seguintes vocábulos:

bochecha, bucha, cachimbo, chalé, charque, chimarrão, chuchu, chute, cochilo, debochar, fachada, fantoche, ficha, flecha, mochila, pechincha, salsicha, tchau, etc.

 

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Emprego do S e SS

Emprego do “s”:

a) Nos sufixos –esa e –isa, formadores de palavras femininas:

poetisa
marquesa
profetisa
baronesa…

b) Depois de ditongos:

coisa
náusea
lousa…

c) No sufixo –ês quando este indicar origem, procedência:

chinês
norueguês
inglês…
d) Nos sufixos –oso e –osa, constituintes de adjetivos:

bondoso
caridosa
generoso…
Emprego do “ss”:

a) Nos substantivos relacionados a verbos com o radical –met:

submeter – submissão
intrometer – intromissão…

b) Nos substantivos relacionados a verbos constituídos pelo radical –gred:

transgredir – transgressão
agredir – agressão…

c) Nos substantivos a que se relacionam os verbos com o radical –prim:

comprimir – compressão
reprimir – repressão

d) Nos substantivos relacionados a verbos formados pelo radical –ced:

ceder – cessão…

e) Nos substantivos relacionados a verbos constituídos pelo radical –tir:

discutir – discussão
permitir – permissão…


Emprego de G e J

Emprego do G:

1) Nos substantivos terminados em -agem, -igem, -ugem

Exemplos: barragem, miragem, viagem, origem, ferrugem

Exceção: pajem

2) Nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio

Exemplos: estágio, privilégio, prestígio, relógio, refúgio

3) Nas palavras derivadas de outras que se grafam com g

Exemplos: engessar (de gesso), massagista (de massagem), vertiginoso (de vertigem)

4) Nos seguintes vocábulos:

algema, auge, bege, estrangeiro, geada, gengiva, gibi, gilete, hegemonia, herege, megera, monge, rabugento, vagem.
Emprego do J:

A representação do fonema /j/ na modalidade escrita, com a grafia correta, precisamos recorrer à origem do termo. Entenda com base nos exemplos abaixo.
gesso: é um termo de origem grega, vem de gypsos.
jipe: é um vocábulo de origem inglesa, vem de jeep.

O “j” será empregados nos seguintes casos:

Formas verbais terminadas em -jar ou –jear.
arranjar: arranjo, arranje, arranjem,
despejar:despejo, despeje, despejem
gorjear: gorjeie, gorjeiam, gorjeando
enferrujar: enferruje, enferrujem
viajar: viajo, viaje, viajem
Palavras originárias do tupi, dialetos africanos, exóticos ou árabes.
Exemplos: biju, jiboia, canjica, pajé, jerico, manjericão, Moji

Termos derivados de outros vocábulos que já apresentem “j”
laranja- laranjeira
loja- lojista
lisonja – lisonjeador
nojo- nojeira
cereja- cerejeira
varejo- varejista
rijo- enrijecer
jeito- ajeitar

Outros vocábulos: berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade, jeito, jejum, laje, traje, pegajento.


Emprego do S e Z

Emprego do S:

a) Depois de ditongos:
Exemplo:
Coisa, faisão, mausoléu, etc.
b) Devemos empregar “são” em substantivos derivados de verbos terminados em: “ender”, “verter”, “pelir” e “ndir”.
Exemplos:
Apreender, apreensão; Ascender, ascensão; compreender, compreensão; distender, distensão; estender, extensão; pretender, pretensão; suspender, suspensão;subverter, subversão; repelir, repulsão; fundir, fusão, etc.
c) Em adjetivos terminados pelos sufixos “oso “ e “osa”, indicando abundância ou estado pleno.
Exemplos:
Formoso, formosa, dengoso, dengosa, horroroso, horrorosa, cheiroso, cheirosa, etc.

d) Em palavras terminadas pelos sufixos: “ês”, “esa”, “isa” e “ose”; empregados na formação de nomes que designam: títulos de nobreza, posição social, profissão, origem ou nacionalidade.
Exemplos:
Burguês, burguesa, camponês, camponesa, marquês, marquesa, português, portuguesa, princesa, profetisa, sacerdotisa, osmose, pentose, escoliose, etc.

e) Nos derivados de verbos terminados em “isar”:
Analisar, análise; pesquisar, pesquisa; paralisar, paralisia, etc.

f) Na conjugação dos verbos pôr, querer e usar:
pus, quis, usamos.

Emprego do Z:

a) Nos formadores de substantivos abstratos a partir de adjetivos, terminados com sufixo: “ez” ou “eza”.
Exemplo:

Sensatez, Altivez, magreza, certeza, mesquinhez, moleza, etc.

b) Em sufixo “triz” formador de femininos:
Exemplo:
Imperatriz, atriz, embaixatriz, etc.

c) Em verbos terminados pelo sufixo “izar”, quando a palavra primitiva não possuir “s”:
Exemplos:
Economia, economizar; Terror, Aterrorizar; Frágil, fragilizar.

OBS: Análise + ar = analisar; friso +ar = frisar. Isto é, nessas palavras não existe o sufixo “izar”.

d) Em sufixos formadores de aumentativo e diminutivo, quando a palavra primitiva não possuir “s” no radical.
Exemplos:
Carta, cartaz; Mulher, mulherzinha; avião, aviãozinho; arvore, arvorezinha.

Deve-se levar em conta a regra abaixo:

Se a palavra primitiva é grafada com uma letra, suas derivadas também serão grafadas com a mesma letra.
Exemplos:
Casa: casinha, casebre, casarão;
Lápis: lapisinho, lapiseira;
Raiz: raizinha, enraizado.


Emprego de S, Ç, X e dos Dígrafos Sc, Sç, Ss, Xc, Xs

Existem diversas formas para a representação do fonema /S/. Observe:

Emprega-se o S:

Nos substantivos derivados de verbos terminados em “andir”,”ender”, “verter” e “pelir”

Exemplos:

expandir- expansão pretender- pretensão verter- versão expelir- expulsão
estender- extensão suspender- suspensão converter – conversão repelir- repulsão

Emprega-se Ç:

Nos substantivos derivados dos verbos “ter” e “torcer”

Exemplos:

ater- atenção torcer- torção
deter- detenção distorcer-distorção
manter- manutenção contorcer- contorção

Emprega-se o X:

Em alguns casos, a letra X soa como Ss

Exemplos:

auxílio, expectativa, experto, extroversão, sexta, sintaxe, texto, trouxe

Emprega-se Sc:

Nos termos eruditos

Exemplos:

acréscimo, ascensorista, consciência, descender, discente, fascículo, fascínio, imprescindível, miscigenação, miscível, plebiscito, rescisão, seiscentos, transcender, etc.

Emprega-se Sç:

Na conjugação de alguns verbos

Exemplos:

nascer- nasço, nasça
crescer- cresço, cresça
descer- desço, desça

Emprega-se Ss:

Nos substantivos derivados de verbos terminados em “gredir”, “mitir”, “ceder” e “cutir”

Exemplos:

agredir- agressão demitir- demissão ceder- cessão discutir- discussão
progredir- progressão transmitir- transmissão exceder- excesso repercutir- repercussão

Emprega-se o Xc e o Xs:

Em dígrafos que soam como Ss

Exemplos:

exceção, excêntrico, excedente, excepcional, exsudar


Emprego do X

Depois de um ditongo: é o caso de baixo, caixas, feixes, ameixas.

Depois de palavra iniciada com o prefixo “EN”: enxugar, enxame, enxaqueca, enxada.

Depois de palavra iniciada pela sílaba “me”: mexer, mexicano, mexerica.

Em vocábulo de origem africana ou indígena e aqueles que são de origem inglesa, mas já estão incorporados à Língua Portuguesa: xará, xampu, xavante e xerife.

Tabela para fixação

 


Emprego das letras E e I

Na língua falada, a distinção entre as vogais átonas /e/ e /i / pode não ser nítida. Observe:

Emprega-se o E:

1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -oar, -uar

Exemplos:

magoar – magoe, magoes

continuar- continue, continues

2) Em palavras formadas com o prefixo ante- (antes, anterior)

Exemplos: antebraço, antecipar

3) Nos seguintes vocábulos:

cadeado, confete, disenteria, empecilho, irrequieto, mexerico, orquídea, etc.

Emprega-se o I :

1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -air, -oer, -uir

Exemplos:

cair- cai

doer- dói

influir- influi

2) Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra)

Exemplos:

Anticristo, antitetânico

3) Nos seguintes vocábulos:

aborígine, artimanha, chefiar, digladiar, penicilina, privilégio, etc.


 

Emprego das letras O e U

Emprega-se o O/U:

A oposição o/u é responsável pela diferença de significado de algumas palavras. Veja os exemplos:

comprimento (extensão) e cumprimento (saudação, realização)

soar (emitir som) e suar (transpirar)

Grafam-se com a letra O: bolacha, bússola, costume, moleque.

Grafam-se com a letra U: camundongo, jabuti, Manuel, tábua


Emprego da letra H

Esta letra não é propriamente consoante, mas um símbolo que, em razão da etimologia e da tradição escrita do nosso idioma, se conserva no princípio de várias palavras no fim de algumas interjeições: haver, hélice, hidrogênio, hóstia, humildade; hã!, hem?, puh!, ah!, ih!, oh!, etc.

Observação: Não se escreve com h final a interjeição de chamamento ou apelo ó: Ó José, vem aqui!; Ó Laura, pare com isso!


 

Emprego das Maiúsculas e Minúsculas
Casos em que o emprego da letra minúscula é utilizado:

1) Nos nomes dos dias, meses, estações do ano. Exemplos: novembro, outono, quarta-feira etc.

2) Nos nomes de livros e filmes, depois da letra inicial maiúscula ser empregada no primeiro elemento. Exemplos: O caçador de pipas, A lição final, Na sala de aula com a sétima arte etc.

3) Nas utilizações de fulano, sicrano, beltrano. Exemplos: Ele disse que o fulano não quer mais falar sobre este assunto.

4) Nos pontos cardeais, porém suas abreviaturas devem ser em maiúsculas. Exemplos: norte, sul, leste etc.
Agora, observe quando a letra maiúscula é indispensável:

1) Nos nomes próprios de pessoas reais ou fictícias. Exemplos: João Antônio; Chapeuzinho Vermelho, Dom Quixote etc.

2) Nos nomes próprios de lugar real ou fictício. Exemplos: São Paulo, Rio de Janeiro, Maputo, Atlântida etc.

3) Nos nomes de seres que recebem ou adquirem nomes humanos ou mitológicos. Exemplos: Adamastor, Netuno, entre outros.

4) Nos nomes que designam instituições. Exemplos: Instituto Ayrton Senna, Instituto Paulo Freire, entre outros.

5) Nos nomes de festas e festividades. Exemplos: Natal, Páscoa, Todos os Santos, entre outros.

6) Nos títulos de periódicos, que não apresentam itálico. Exemplos: O Estado de São Paulo, Vale Paraibano, entre outros.

7) Nos pontos cardeais quando empregados sozinhos. Exemplos: Norte, por norte de Portugal; Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países; Ocidente, por ocidente europeu; Oriente, por oriente asiático, entre outros.

8) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente reguladas com maiúsculas, iniciais, mediais, finais ou o todo em maiúsculas. Exemplos: FAO, NATO, ONU; H­2O, Sr., V. Ex.ª, entre outros.
Há, no entanto, palavras que aceitam tanto iniciações com letras maiúsculas como minúsculas. Veja-as a seguir:

1) Nas formas de tratamento de cortesias, expressões de reverência, títulos honoríficos e palavras sagradas, estas opcionalmente também com maiúscula. Exemplos: doutor, bacharel, cardeal, santa Maria, entre outros.

2) Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas, opcionalmente, também com maiúscula. Exemplos: português, Matemática, línguas e literaturas modernas, entre outros.

3) Em palavras usadas com reverência, palácios ou que denota hierarquia e nomes de ruas. Exemplos: rua ou Rua da Liberdade, igreja ou Igreja do Bonfim, palácio ou Palácio da Cultura, edifício ou Edifício Azevedo Cunha, entre outros.

No Novo Acordo Ortográfico, a letra maiúscula também pode ser empregada para dar destaque às sentenças que se desejar, tal como ocorre em nomes de filmes, livros e títulos de artigos e afins.

Fontes:portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=acordo&version=1990; Aulete – Dicionário Digital.

Nova Gramática do Português Contemporâneo – Celso Cunha e Lindley Cintra

Gramática Escolar da Língua Portuguesa – Evanildo Bechara

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