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Classe de Palavras – As 10 Classes Gramaticais

Classe de Palavras – As classes de palavras ou classes gramaticais são fáceis de aprender se você memorizar que elas são divididas em 10: substantivo, verbo, adjetivo, artigo, pronome, numeral, conjunção, interjeição, preposição e advérbio.

A melhor maneira de identificá-las é pensar no papel das palavras no contexto, mas também dá para seguir dicas que a facilitam a classificação em exemplos complicados.

Classe de Palavras – As 10 Classes Gramaticais

As classes de palavras são divididas em palavras variáveis (que variam em gênero, número ou grau) e palavras invariáveis ( que não variam).

1. Substantivo

Substantivos são as palavras que representam os seres em geral, quer sejam concretos (livro), quer sejam abstratos (liberdade), quer sejam comuns (rio, cidade, homem) quer sejam próprios (Jacuí, Porto Alegre, José), quer sejam termos primitivos (sapato), quer sejam derivados (sapataria), quer sejam termos simples (flor, sol), quer sejam compostos (beija-flor, girassol), quer sejam coletivos (bando, enxame).

Mas qualquer palavra pode ser substantivada, desde que exerça função de substantivo na frase. Por exemplo, “sábio” é adjetivo, porque podemos dizer “homem sábio”, mas, em “O sábio estuda”, passa a ser substantivo, porque exerce função (sujeito) típica de substantivo. Nessa condição, aceita até ser adjetivado: “O sábio responsável estuda”. Em “Viver alegre contrapõe-se a morrer triste”, “viver” e “morrer” são verbos substantivados, porque exercem, respectivamente, as funções de núcleo do sujeito e núcleo do objeto indireto.

2. Adjetivo

É a palavra que expressa uma qualidade e “encaixa diretamente” ao lado de um substantivo.

Tomemos a palavra “bondoso” para exemplo. É, com efeito, um adjetivo, porque, além de expressar uma qualidade, pode ser “encaixada diretamente” ao lado de um substantivo:

homem bondoso, moça bondosa, pessoa bondosa

Já com a palavra “bondade”, embora expresse uma qualidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade, moça bondade, pessoa bondade.

“Bondade”, portanto, não é adjetivo, mas substantivo, porque admite o artigo: “a bondade”. O substantivo encaixa ao lado de outro substantivo, mas não diretamente e, sim, através de uma proposição: homem de bondade, moça de bondade, pessoa de bondade.

3. Pronomes

PESSOAIS

Os pronomes pessoais, que tomam o lugar da pessoa que fala (1ª pessoa), da pessoa com que falamos (2ª pessoa) ou da pessoa de que falamos (3ª pessoa), podem ser:

  1. RETOS E OBLÍQUOS

PRONOMES PESSOAIS

Pessoa

Retos

Oblíquos

Gramatical

Átonos

Tônicos

singular

eu

me

mim, (co) migo

plural

nós

nos

(co) nosco

singular

tu

te

ti, (con) tigo

plural

vós

vos

(con) vosco

singular

ele, ela

se, o, a, lhe

si, (con) sigo

plural

eles, elas

se, os, as, lhes

si, (con) sigo

EMPREGO (CERTO X ERRADO)

a) Eu e tu x mim e ti – Se houver preposição antes, devemos usar mim e/ou ti, e não eu e/ou tu:

Entre mim e ti não há desavenças.

Sobre Joana e ti nada se pode dizer

Devo a ti esta conquista.

Constrói esta casa para mim.

Se, todavia, acrescentarmos um verbo no infinitivo, devemos usar eu e/ou tu:

Constrói esta casa para eu morar.

Ele disse que é para eu e tu partirmos.

b) Si e consigo – Estes pronomes somente podem ser empregados, se se referirem ao sujeito da oração:

Joana só pensa em si. (“Si” refere-se a “Joana”: sujeito)

O poeta gosta de ficar consigo mesmo. (“Consigo” refere-se a “poeta”: sujeito.)

Estão erradas, portanto, frases como estas:

Creio muito em si, meu amigo.

Quero falar consigo.

“Si” e “consigo” estão referindo-se à pessoa com quem falamos, o não ao sujeito de “creio” e “quero”, que é “eu”, subentendido. Para corrigi-las, basta substituir “si” e “consigo” por “você”, “senhor”, “V.Sa.” etc., conforme exigir a situação:

Creio muito em você, meu amigo.

Quero falar com o senhor.

c) Conosco e convosco – Se vierem seguidos de uma expressão complementar, desdobram-se em “com nós” e “com vós”:

Esta missão é com nós mesmos.

Com vós, jovens, sempre estou bem.

d) Ele(s), ela(s) x o(s), a(s) – Não raras vezes ouvimos: “Vi ela no teatro”, “Não queremos eles aqui”, frases em que o pronome reto, erradamente, está exercendo a função de objeto direto. O certo é: “Vi-a no teatro”, “Não os queremos aqui”.

b) DE TRATAMENT0

São pronomes de tratamento você, senhor, senhora, senhorita, fulano, sicrano, beltrano e as expressões que integram o quadro seguinte:

PRONOME

ABREVIATURA SINGULAR

ABREVIATURA PLURAL

USA-SE PARA:

Vossa(s)

Excelência(s)

V. Ex.ª

V. Ex.as

1

Vossa(s) Magnificência(s)

V. Mag.ª

V. Mag.as

2

Vossa(s)

Senhoria(s)

V. S.ª

V. S.as

3

Vossa(s)

Santidade(s)

V. S.

VV. SS.

4

Vossa(s)

Eminência(s)

V. Em.ª

V. Em.as

5

Vossa(s)

Excelência(s)

Reverendíssima(s)

V. Ex.ª Rev.ma

V. Ex.as Rev. mas

6

Vossa(s)

Reverendíssima(s)

V. Rev.ma

V. Rev. mas

7

Vossa(s)

Reverência(s)

V. Rev.ª

V. Rev.as

8

Vossa(s)

Majestade(s)

V. M.

VV. MM.

9

Vossa(s)

Alteza(s)

V. A.

VV. AA.

10

  1. Presidente (sem abreviatura), ministro, embaixador, governador, secretário de Estado, prefeito, senador, deputado federal e estadual, juiz, general, almirante, brigadeiro e presidente de câmara de vereadores;

  1. Reitor de universidade para o qual também se pode usar V. Ex.ª;

  1. Qualquer autoridade ou pessoa civil não citada acima;

4) Papa;

5) Cardeal;

6) Arcebispo e bispo;

7) Autoridade religiosa inferior às acima citadas;

8) Religioso sem graduação;

9) Rei e imperador;

10) Príncipe, arquiduque e duque.

Observação:

Todas essas expressões se apresentam também com SUA para cujas abreviaturas basta substituir o “V” por “S”.

EMPREGO

a) Vossa Excelência etc. x Sua Excelência etc. – Os pronomes de tratamento com “Vossa(s)” empregam-se em relação à pessoa com quem falamos:

Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

Com “Sua(s)” são empregados, quando falamos a respeito da pessoa:

Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

b) 3ª pessoa – Os pronomes de tratamento são da 3ª pessoa; portanto, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa;

Basta que V. Ex.as cumpram a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhes fiquem reconhecidos.

c) Uniformidade de Tratamento – Quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te” ou “teu”, o os verbos, evidentemente, vão para a 3ª pessoa. Eis um texto errado, do tipo, aliás, muito freqüente em nossa música popular:

Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te afastes de mim.

Ou corrigimo-lo assim:

Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. Não mais permitirei que se afaste de mim.

Ou assim:

Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. Não mais permitirei que te afastes de mim.

POSSESSIVOS

Com eles indicamos a coisa possuída e a pessoa gramatical possuidora. No quadro abaixo, vemo-los relacionados aos respectivos pronomes pessoais:

PESSOAIS

POSSESSIVOS

Eu

meu, minha, meus, minhas

Tu

teu, tua, teus, tuas

Ele, você, V. Ex.ª etc.

seu, sua, seus, suas

Nós

nosso, nossa, nossos, nossas

Vós

vosso, vossa, vossos, vossas

Eles

seu, sua, seus, suas

EMPREGO

a) Ambigüidade – “Seu”, “sua”, “seus” e “suas” têm dado origem a frases como estas:

O policial prendeu o ladrão em sua casa.

O jovem foi com a namorada para o seu colégio.

A casa é a do policial ou a do ladrão? É o colégio é o do jovem ou o da namorada?

Corrigem-se, substituindo o pronome por outro ou aproximando a coisa possuída do possuidor:

O policial prendeu o ladrão na casa deste.

O jovem foi para o seu colégio com a namorada.

b) “Machuquei a minha mão” – Não se usam os possessivos em relação às partes do corpo ou às faculdades do espírito. Devemos, pois, dizer:

Machuquei a mão. (E não “a minha mão”)

Ele bateu a cabeça. (E não “a sua cabeça”)

Perdeste a razão? (E não “a tua razão”)

RELATIVOS

São as palavras que, quem, qual, cujo, onde, como, quando, quanto, desde que:

a) tenham como precedente um substantivo e como conseqüente um verbo;

b) possam ser substituídos, sem quebra de sentido, por uma expressão onde aparece qual ou quais:

Os livros que li ajudaram-me.

(Os livros os quais li ajudaram-me.)

A casa onde moro tem goteiras.

(A casa na qual moro tem goteiras.)

DEMONSTRATIVOS

São os que localizam ou identificam o substantivo.

MASCULINO

FEMININO

NEUTRO

este(s)

esta(s)

isto

esse(s)

essa(s)

isso

aquele(s)

aquela(s)

aquilo

Ainda são demonstrativos O, A. OS, AS, quando antecedem o QUE e podem ser substituídos por AQUELE(S), AQUELA(S), AQUILO:

Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)

Esta rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que te indiquei.)

EMPREGO

Este(s), esta(s), isto indicam que o ser está próximo da pessoa que fala:

Este livro que tenho aqui em minha mão esclarece o assunto.

Esse(s), essa(s), isso indicam o ser que está próximo da pessoa com quem falamos:

Essa caneta com que escreves pertence a mim.

Aquele(s), aquela(s), aquilo indicam o ser que estiver longe de ambas as pessoas:

Aquele quadro que vemos na parede é antigo.

Agora, prestemos atenção a estes exemplos:

1) “A mim só interessa isto: realizar os meu ideais.” “Realizar os meus ideais: isso é o que me interessa.”

Isto (ou este, ou esta) indica uma idéia que ainda não foi expressa. Isso (ou esse, ou essa) indica uma idéia que já foi expressa.

2) “As palavras afetuosas e os ditos irônicos são como as flores e os espinhos: aquelas perfumam; estes ferem.(ou estes ferem; aquelas perfumam.)”

Ao nos referirmos a duas idéias anteriormente expostas, este(s), esta(s), isto (jamais esse … ) indicam a idéia mais próxima, isto é, a última; aquele(s), aquela(s), aquilo indicam a idéia mais afastada, isto é, a primeira.

3) “Esta seção precisa de papel.”

“Esperamos que essa seção atenda ao nosso pedido.”

Este(s), esta(s), isto indicam o local (cidade, rua, repartição, estado etc.) de onde escrevemos. Esse(s), essa(s), isso indicam o local em que se encontra o nosso correspondente.

4) “Neste século XX, vimos coisas de espantar.” “Naquele (ou Nesse) tempo, dizia Jesus…”

Em relação a tempo, este(s), esta(s) indicam o presente; o passado indica-se por esse ou aquele.

Observação:

Os pronomes demonstrativos podem combinar-se com preposições: neste, desse, naquele etc.), o que em nada modifica os empregos referidos.

INDEFINIDOS

São os que determinam o substantivo de modo vago, de maneira imprecisa.

LISTA DOS INDEFINIDOS

VARIÁVEIS

MASCULINO

FEMININO

INVARIÁEIS

SINGULAR

PLURAL

SINGULAR

PLURAL

algum

alguns

alguma

algumas

alguém

certo

certos

certa

certas

algo

muito

muitos

muita

muitas

nada

nenhum

nenhuns

nenhuma

nenhumas

ninguém

outro

outros

outra

outras

outrem

qualquer

quaisquer

qualquer

quaisquer

cada

quanto

quantos

quanta

quantas

tanto

tantos

tanta

tantas

todo

todos

toda

todas

tudo

vário

vários

vária

várias

pouco

poucos

pouca

poucas

INTERROGATIVOS

Chamam-se interrogativos os pronomes que, quem, qual o quanto, empregados para formular uma pergunta direta ou indireta:

Que trabalho estão fazendo?

Diga-me que trabalho estão fazendo.

Quem disse tal coisa?

Ignoramos quem disse tal coisa.

Qual dos livros preferes?

Não sei qual dos livros preferes.

Quantos passageiros desembarcaram?

Pergunte quantos passageiros desembarcaram.

DIFERENÇA ENTRE OS PRONOMES SUBSTANTIVOS E OS PRONOMES ADJETIVOS

Pronomes adjetivos são aqueles que simplesmente acompanham os substantivos:

Este moço é meu irmão.

Estes dois simpáticos e elegantes moços são meus irmãos.

Pronomes substantivos são aqueles que substituem ou representam tão bem o substantivo, que é como se ele estivesse presente:

Nem tudo está perdido.

(Nem todos os bens estão perdidos.)

Os pronomes “fanáticos” são os pessoais e os relativos. Eles são sempre substantivos; por isso, dispensam essa classificação. Basta chamá-los simplesmente pronomes pessoais e pronomes relativos.

Os outros ora são pronomes substantivos, ora são pronomes adjetivos.

Sendo assim, nos exemplos seguintes, eles se comportam como:

A caneta é minha.

minha – pron. subst. possessivo.

Minha sogra é um anjo.

minha – pron. adj. possessivo.

Aquilo que fizeste não se faz.

aquilo – pron. subst. demonstrativo.

Aquela criança veio ao mundo por acidente.

aquela – pron. adj. demonstrativo.

Ninguém entra em fria por querer.

ninguém – pron. subst. indefinido.

Nenhum homem conseguirá convencê-la.

nenhum – pron. adj. indefinido.

Que queres comigo?

que – pron. subst. interrogativo.

Quantas moedas vais oferecer?

quantas – pron. adj. interrogativo.

4. Artigo

É artigo a palavra que, vindo (diretamente ou não) antes de um substantivo, indica se o mesmo está sendo empregado de maneira definida ou indefinida. É por isso que os artigos se subdividem em:

a) Artigos definidoso, a, os, as – porque deixam definido, determinado o substantivo a que se referem.

Ao dizermos: “Mário, joga fora o cigarro!” estamos nos referindo a um cigarro determinado: aquele que Mário provavelmente estaria fumando.

b) Artigos indefinidosum, uma, uns, umas – porque deixam indefinido, indeterminado, vago o substantivo a que se referem.

Quando dizemos: “Mário, dá-me um cigarro!” estamo-nos referindo a um cigarro indeterminado. Mário nos daria qualquer um dos que ele tivesse no maço. Mas eu e Mário teríamos o mau hábito (definido) de fumar

5. Numeral

É a palavra que indica uma quantidade exata ou um lugar numa série.

Os numerais podem ser:

a) Cardinais – quando indicam um número básico: um, dois, trás, cem mil…

b) Ordinais – quando indicam um lugar numa série: primeiro, segundo, terceiro, centésimo, milésimo…

Segue uma lista dos ordinais que mais se erram:

40º – quadragésimo 300º – trecentésimo

50º – qüinquagésimo 400º – quadringentésimo

60º – sexagésimo 500º – qüingentésimo

70º – septuagésimo 600º – sexcentésimo

80º – octogésimo 700º – septingentésimo

90º – nonagésimo 800º – octingentésimo

100º – centésimo 900º – nongentésimo

200º – ducentésimo 1.000º – milésimo

c) Multiplicativos – quando indicam uma quantidade multiplicativa: dobro, triplo, quádruplo…

d) Fracionários – quando indicam parte de um inteiro: meio, metade, dois terços…

6. Advérbio

É a palavra invariável que se relaciona ao verbo para atribuir-lhe uma circunstância. Segundo a nova nomenclatura gramatical brasileira, os advérbios podem ser:

a) de afirmação – sim, certamente, efetivamente etc.;

b) de dúvida – talvez, quiçá, porventura, acaso, provavelmente etc.;

c) de intensidade – muito, pouco, assaz, bastante, mais, menos, tão, tanto, quão etc.:

Nota: É de observar que as palavras “muito”, “pouco” o “tanto” também podem ser pronomes indefinidos. A diferenciação é fácil: podendo variar em gênero ou número, serão pronomes indefinidos; quando forem invariáveis, serão advérbios.

Maurício estuda pouco.

Ele dispõe de pouco tempo.

No primeiro exemplo, qualquer que seja a modificação de gênero ou número introduzida na frase, “pouco” permanecerá invariável.

No segundo exemplo, basta substituir “tempo” por “horas”, para que tenhamos:

Ele dispõe de poucas horas.

Portanto, o primeiro é advérbio e o segundo é pronome indefinido.

d) de interrogação – onde, como, quando e por que nas interrogações diretas ou indiretas:

Onde vais?

Como vais?

Quando vais?

Por que voltaste?

Quero saber onde vais.

Mandaram perguntar como vais.

Nota: Não se deve confundir advérbio interrogativo com pronome interrogativo.

e) de lugar – aqui, ali, aí, além, aquém, acima, abaixo, atrás, dentro, junto, defronte, perto, longe etc.

f) de modo – assim, bem, mal, depressa, devagar, melhor, pior e a maior parte das palavras formadas de um adjetivo, mais a terminação “mente” (leve + mente = levemente; calma + mente = calmamente).

g) de negação – não, tampouco.

h) de tempo – agora, já, depois, anteontem, ontem, hoje, jamais, sempre, outrora, breve etc.

Observação 1:

Foi dito que o advérbio se refere ao verbo; acrescente-se, agora, que ele também pode referir-se a um adjetivo ou a outro advérbio.

Ele trabalha muito. muito Þ trabalha

Ele é muito trabalhador. muito Þ trabalhador

Ele poderia trabalhar muito mais. muito Þ mais

Observação 2:

Também existem as chamadas locuções adverbiais que vêm quase sempre introduzidas por uma preposição: à farta (= fartamente), às pressas (= apressadamente), à toa, às cegas, às escuras, às tontas, às vezes, de quando em quando, de vez em quando etc.

7. Preposição

É a palavra invariável que serve de ligação entre dois termos de uma oração ou, às vezes, entre duas orações:

Ele comprou um livro de poesia.

Ele tinha medo de ficar solitário.

Como se vê, a preposição “de”, no primeiro exemplo, liga termos de uma mesma oração; no segundo, liga orações.

Preposições Simples – Eis a lista: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, durante, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.

Locuções Prepositivas

Além das preposições simples, existem também as chamadas locuções prepositivas, que terminam sempre por uma preposição simples: abaixo de, acerca de, acima de, a despeito de, adiante de, a fim de, além de, antes de, ao lado de, a par de, apesar de, a respeito de, atrás de, através de, de acordo com, debaixo de, de cima de, defronte de, dentro de, depois de, diante de, embaixo de, em cima de, em frente de(a), em lugar de, em redor de, em torno de, em vez de, graças a, junto a (de), para baixo de, para cima de, para com, perto de, por baixo de, por causa de, por cima de, por detrás de, por diante de, por entre, por trás de.

8. Interjeições

São palavras, sem valor sintático, que exprimem estados súbitos de alma:

“ai!”, “oh!”, “socorro!”

9. Conjunções

Palavras ou locuções invariáveis que ligam orações.

Dividem-se em dois grupos: coordenativas e subordinativas.

COORDENATIVAS

Aditivas

Tipo: e

Relação: e, nem (= e não), também, que, não só… mas também, não só… como, tanto … como, assim… como etc.

Observação:

Em geral, cada categoria tem uma conjunção típica.

Assim é que, para classificar uma função ou locação conjuntiva, é preciso que ela seja substituível, sem mudar o sentido do período, pelo tipo. Por exemplo, o “que” somente será conjunção coordenativa aditiva, se for substituível pelo tipo “e”:

“Dize-me com quem andas, que eu te direi quem és”.

Alternativas

Relação: ou… ou, já … já, seja… seja, quer… quer, ora… ora, agora… agora.

Observação:

As alternativas caracterizam-se pela repetição, exceto “ou” cujo primeiro elemento pode ficar subentendido.

Adversativas

Tipo: mas

Relação: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, senão, não obstante.

Observação:

As alternativas, exceto “mas”, podem aparecer deslocadas. Nesse caso, a substituição pelo tipo só é possível, se devolvidas ao início da oração:

Esforçou-se muito; não logrou, contudo, êxito.

Esforçou-se muito, contudo (=mas) não logrou êxito.

Conclusivas

Tipo: portanto

Relação: portanto, logo, por conseguinte, assim, pois, então, por isso, por fim, enfim, conseguintemente, conseqüentemente.

Explicativas

Tipo: porque

Relação: porque, pois, pois que, que, porquanto, já que, uma vez que, visto que, sendo que, dado que, como.

SUBORDINATIVAS

Causais

Idem às explicativas. A diferenciação, na prática, faz-se examinando a oração anterior. Se esta tiver o verbo no imperativo, a conjunção será coordenativa explicativa:

Fecha a janela, porque faz frio.

Condicionais

Tipo: se

Relação: se, caso, contanto que, desde que, uma vez que, dado que, a não ser que, a menos que, suposto que, salvo se, exceto se.

Concessivas

Tipo: embora

Relação: embora, conquanto, ainda que, posto que, mesmo que. em que, se bem que, por mais que.

Conformativas

Tipo: conforme

Relação: conforme, consoante, segundo, como, da mesma maneira que.

Consecutivas

Relação: que (precedido de “tão”, “tal”, “tamanho” ou “tanto”), de maneira que, de modo que, de forma que, de sorte que, de molde que, de jeito que.

Comparativas

Relação: que, do que (precedidos de “mais”, “menos”, “maior”, “menor”, “melhor” ou “pior”), como (precedido de “tão”, “tal” ou “tanto”), qual (precedido de “tal”), quanto (precedido de “tanto”), quão (precedido de “tão”).

Finais

Tipo: a fim de que

Relação: a fim de que, para que, porque, que.

Integrantes

Relação: que, se

Observação:

O “que” a o “se” serão conjunções subordinativas integrantes, se a oração por eles iniciada responder à pergunta “Qual é a coisa que … ?”, formulada com o verbo da oração anterior.

Não sei se se morre de amor.

– Qual é a coisa que não sei?

– Se se morre de amor.

Proporcionais

Tipo: à proporção que

Relação: à proporção que, à medida que, ao passo que.

Temporais

Tipo: quando

Relação: quando, logo que, assim que, depois que, enquanto, ao tempo que, apenas, mal.

Valor das conjunções

Para lá de importante é ter domínio sobre o valor semântico (o significado) das conjunções, ou seja, é preciso saber que circunstâncias nos trazem as orações iniciadas por elas, relativamente à idéia expressa na oração à qual estão ligadas. Tais circunstâncias inferem-se, em geral, do próprio nome das conjunções. Por exemplo, na frase: “Estamos bem preparados, portanto teremos um bom desempenho“, a conjunção (portanto) é conclusiva, e a oração iniciada por ela (negrito) expressa uma conclusão, decorrente do que se diz na oração anterior, isto é, do fato de estarmos bem preparados.

Assim, as conjunções, além de ligar orações, indicam as seguintes circunstâncias:

Aditiva – adição, soma, aproximação:

As flores embelezam e perfumam o ambiente.

Alternativa – alternância, exclusão:

“Ou troteia, ou sai da estrada.”

Adversativa – adversidade, oposição:

O Brasil é um país rico, mas os brasileiros são pobres.

Conclusiva – conclusão, conseqüência, resultado:

“Penso, logo existo.”

Explicativa – explicação, motivo:

Trabalhemos, porque o trabalho dignifica.

Causal – causa, razão:

“Estou triste, porque não tenho você perto de mim.”

Condicional – condição:

Se a chuva parar, iremos ao jogo.

Concessiva – concessão (isto é: a oração iniciada por ela concede uma garantia de que a idéia da outra se realizará):

Embora tenhamos pouco tempo, concluiremos o trabalho.

Conformativa – conformidade, concordância:

Devemos proceder conforme estabelece o regulamento.

Consecutiva – conseqüência, efeito:

Tem contado tantas mentiras, que ninguém acredita nele.

Comparativa – comparação:

O perfume de jasmim é tão saliente quanto o da rosa é discreto.

Final – finalidade, resultado desejado ou preconcebido:

Estudarei esse assunto, a fim de que possa compreendê-lo.

Proporcional – proporção, medida:

À proporção que estudava, compreendia melhor o assunto.

Temporal – tempo:

Quando voltares, visita-me.

Integrante – a conjunto integrante inicia uma oração que integra o sentido (além de exercer uma função sintática) de um termo da oração anterior:

Espera-se que venças. (sujeito de “espera-se”)

A verdade é que vencerás. (predicativo)

Sei que vencerás. (objeto direto de “sei”)

Tudo depende de que estudes. (objeto indireto de “depende”)

Tenho medo de que fracasses. (complemento nominal de “medo”)

10. Verbo

É a palavra com que se expressa uma ação (cantar, vender) ou um estado (ser, estar).

Nota: Quanto à conjugação e emprego dos tempos, ver “Flexão Verbal”.

TESTES

1) Marque a opção em que há erro relativo ao emprego de pronome.

a) Estive com Sua Excelência ontem, e ele nada me revelou sobre seu problema.

b) Nada deves fazer sem eu estar presente.

c) O sono ou a vigília, que me importa esta ou esse?

d) Aviso-o de que chegarei a essa cidade no dia 10 de junho.

e) Os tipos de artigos são estes: definidos e indefinidos.

2) Observe as palavras grifadas da seguinte frase: “Encaminhamos ao Diretor cópia autêntica do Edital nº 19/94.”

Elas são, respectivamente:

a) verbo, substantivo e substantivo.

b) verbo, substantivo e advérbio.

c) verbo, substantivo e adjetivo.

d) pronome, adjetivo e adjetivo.

e) pronome, adjetivo e substantivo.

3) O pronome está empregado incorretamente em:

a) É para mim fiscalizar aqueles volumes.

b) Tudo ficou esclarecido entre mim e ti.

c) Os herdeiros dividiram os bens entre si, sem desavenças.

d) São muitas as pessoas de quem dependemos.

e) Não há razão para eu ficar triste.

4) Aponte a frase em que o pronome demonstrativo está incorreto:

a) Este veraneio está maravilhoso.

b) Isso aí deve ser transportado com cuidado.

c) Neste tempo, não havia os perigos de hoje.

d) Isto é meu e possui valor estimativo.

e) Aquele sujeito é teimoso e bravo.

5) Instrução: Para responder a esta questão, preencher adequadamente as lacunas e numerar a coluna A de acordo com a coluna B.

Coluna A

( ) O candidato não consegue aprovação

( ) O candidato merece ser aprovado __

( ) O candidato busca um local sossegado.

( ) O candidato terá sucesso.

( ) O candidato tem dificuldade em algumas matérias.

Coluna B

1 – por mais que estude

2 – uma vez que estudou

3 – para que possa estudar

4 – assim que estudar

Está correta a numeração da alternativa:

a) 2,3,4,2,1

b) 3,4,4,1,2

c) 1,2,3,4,1

d) 3,2,1,4,3

e) 1.3,2,1,4

6) O período em que a segunda oração apresenta uma idéia de condição é:

a) Os artistas devem trabalhar na solidão, uma vez que desejem uma visão mais profunda dos fatos.

b) O jornalista tem de trabalhar dentro dos fatos, posto que tal cuidado acarrete dificuldades.

c) O jornalista pode bem informar, já que participa dos fatos.

d) Os artistas trabalham na solidão, até que consigam revelar o sentido profundo dos fatos.

e) O jornalista vive no meio dos acontecimentos, de modo que pode bem informar.

7) Há uma relação de causa e conseqüência na alternativa:

a) Quando submetidos à reação repressiva da sociedade, os meninos de rua têm vida curta.

b) Caso não se iniciem na delinqüência, os meninos de rua não sobrevivem.

c) Ainda que se entreguem à delinqüência, os meninos de rua têm vida curta.

d) Como a ação da palmatória da necessidade é impositiva, os meninos de rua aderem ao crime.

e) Sem que se dêem conta, os meninos de rua estão dominados pelas drogas.

RESPOSTAS:

1- C 2- C 3- A 4- C 5- C 6- A 7- D

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